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Manlec, rede gaúcha com 38 lojas, entra em recuperação judicial

25
Ago 2014

A Manlec, uma das mais tradicionais redes varejistas de eletroeletrônicos, móveis, bazar, camping e bicicletas do Rio Grande do Sul, com 61 anos de atividade e 38 lojas físicas em 18 cidades do Estado, entrou em recuperação judicial. A empresa não resistiu ao aumento do endividamento, à elevação dos custos financeiros e à redução das margens da operação nos últimos anos provocada pelo crescimento da concorrência com as grandes redes. Mais recentemente, a alta da inadimplência e a retração das vendas agravaram os problemas.

Segundo os advogados Laurence Bica Medeiros, da SMR Assessoria e Consultoria Empresarial, e João Fernandes Jr, do escritório Medeiros Fernandes Jr, o pedido foi encaminhado na sexta-feira e deferido anteontem pela Vara de Falências de Porto Alegre. Contratados há um mês para tratar do caso eles pretendem apresentar o plano de recuperação em 60 dias.

O passivo sujeito à recuperação judicial soma R$ 105,4 milhões, sendo R$ 56,5 milhões em dívidas com bancos, R$ 39,9 milhões com fornecedores e R$ 9 milhões em débitos trabalhistas. Estes últimos incluem as verbas rescisórias de 117 funcionários demitidos na semana passada, mais os valores referentes às férias e ao décimo-terceiro salário que deveriam ser pagos aos 495 empregados remanescentes no fim deste ano.

Conforme Bica Medeiros, o desequilíbrio econômico-financeiro enfrentado pela Manlec também foi influenciado pelo aumento dos custos com aluguéis de prédios para as filiais, pela falta de capital de giro e pela extensão dos prazos de pagamento sem juros com cartões de crédito, o que elevou os custos das antecipações de recebíveis negociadas com as operadoras.

No ano passado a Manlec apurou prejuízo de R$ 9,9 milhões, ante lucro de R$ 1 milhão um ano antes. A receita líquida caiu 14,3%, para R$ 178,9 milhões, enquanto a margem bruta recuou de 35,2% para 33,5% e as despesas financeiras líquidas aumentaram 38,3%, para R$ 8,75 milhões.

De acordo com o pedido de recuperação enviado à Justiça, a Manlec também foi surpreendida pela retração do mercado, "o que gerou redução nas vendas e nas receitas, fazendo com que as despesas com a formação de estoque e pessoal ficassem além da receita". A queda foi atribuída à diminuição do poder aquisitivo dos consumidores, o que também contribuiu para que a inadimplência ficasse "em um alto patamar".

 
Fonte: Sérgio Ruck Bueno/ Valor Econômico

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