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Credores da Eneva avaliam operação para baixar dívida

24
Out 2014

Os principais credores da companhia de energia Eneva (antiga MPX) desenham uma operação capaz reduzir o elevado endividamento e capitalizar a empresa. A elétrica tem hoje dívidas que superam R$ 7 bilhões. Cerca de R$ 2,2 bilhões estão na holding e em quatro bancos. Itaú BBA e BTG Pactual concentram a maior parte; Citibank e HSBC têm menor exposição.

Mais de R$ 5 bilhões são dívidas das própria empresas - sociedades de propósito específico (SPEs), que são controladas holding Eneva. Nesse caso, o maior credor é o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Os credores acreditam no futuro da companhia, que tem bons ativos operacionais e é geradora de caixa. Não se trata de um projeto. No entanto, em razão dos gastos com os serviços da dívida, de questões referentes a multas da Aneel e do amadurecimento de suas operações, ela não consegue transferir esses recursos para as suas operações. Sem resolver sua estrutura de capital, ou seja, estabilizar suas dívidas de curto prazo, não haverá solução de longo prazo.

Ao final do processo de capitalização é provável que empresa de energia deixe de ter controlador definido

No momento, uma recuperação judicial está fora de cogitação na companhia. Isso está sinalizado pelo fato de os credores terem suspendido por 60 dias qualquer cobrança de dívidas da empresa. Enquanto isso, eles estruturam uma operação de aumento de capital, conforme apurou o Valor.

Os bancos credores vão participar convertendo dívidas em participação acionária. Cada um vai decidir se irá converter apenas uma parcela, ou, se desejarem, ficar de fora do aumento de capital, poderá também alongar o prazo da dívida.

O BNDES ainda estuda se vai aderir com aporte de novos recursos ou se será diluído na operação. Além disso, terá outro papel no processo: deverá concordar em não executar garantias contras as empresas e liberar R$ 300 milhões para a termelétrica Pecém II, no município de São Gonçalo do Amarante (CE).

Os atuais minoritários e novos investidores serão também chamados para participar do aumento de capital, que será a um preço capaz de atrair tanto a conversão dos bancos quanto os novos investidores. A grande possibilidade é que seja um valor significativamente abaixo do que a empresa negocia no mercado hoje, de forma a estimular a adesão de acionistas e credores.

O valor terá de ser aprovado pela controladora alemã E.ON. Ela deverá entrar na operação entregando para a Eneva um ativo, a participação de 50% que possui na Pecém II, e também possivelmente com uma parcela em dinheiro, mas ainda assim não acompanhará o aumento de capital na proporção que tem direito e deverá ser em parte diluída.

A falta de disposição da E.ON em aportar mais recursos na Eneva foi o que levou o grupo de credores a juntar-se e buscar uma solução. Depois do aumento de capital em maio, o controlador sinalizou que não tem disposição de continuar colocando mais dinheiro na empresa indefinidamente, apurou o Valor.

Ao final desse processo, é provável que a Eneva deixe de ter um controlador definido. Hoje, por meio de acordo de acionistas, E.ON e Eike controlam a empresa. Existe uma cláusula nesse contrato que prevê, no caso de a fatia de um dos dois na companhia cair abaixo de 15%, aquele que mantiver maior participação poderá rescindir o acordo.

Atualmente, a E.ON tem 42,9% e Eike, 20%. O empresário possivelmente será diluído para abaixo dos 15%, já que não acompanhará o aumento de capital. A E.ON deverá transformar-se no maior acionista individual da companhia.

Procurados, Eneva, BNDES, BTG Pactual e Itaú BBA não se manifestaram sobre o assunto.

Fonte: Ana Paula Ragazzi e Rodrigo Polito/ Valor Econômico

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