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Choque de gestão evita recuperação judicial

19
Dez 2014
Hoje a tendência de empresas em crise, quando o cenário se agrava, tem sido buscar a recuperação judicial. No meio do caminho, porém, há soluções diversas. No caso das médias e grandes empresas, as mais suscetíveis a usufruir do beneficio da recuperação judicial, tem havido decisões precipitadas para solução de problemas imediatos. Mas há soluções efetivas antes da moratória judicial.
 
O equívoco está em conceituar o problema e a solução como sendo unicamente financeiros. O choque de gestão começa com uma mudança de cultura de dentro para fora da empresa. De início o empresário precisa saber realmente o valor e o perfil de seu passivo. O modelo de gestão equivocado é buscar mais dinheiro no mercado para pagar as dívidas ou se financiar eternamente em cima de fornecedores, empregados ou fisco. O dinheiro novo, quando existe, é caro e até pode ser um alívio no curto prazo, mas mais adiante derrete as margens da empresa. 
 
O salvamento só se dá por dois caminhos. A venda de ativos ou a proteção do fluxo de caixa futuro da empresa. É a operação futura (receita, despesa e margem positiva) que irá pagar a dívida passada. Tomar dinheiro novo a qualquer custo para pagamento dos credores, atrasando outras rubricas como salários, acabará por atrofiar ainda mais a operação que morrerá por inanição. 
 
Informação e mobilização dos colaboradores são fundamentais nessa hora, com um plano a ser seguido. Todos têm um papel fundamental. Um grupo vai para o mercado buscar vendas e receitas; o outro se dedica internamente à redução de custos e negociação com os credores. A empresa terá de se blindar ao máximo para evitar pressões. Essa estratégia, mesmo que num primeiro momento traga desaprovação, mostra que há um plano em execução, recuperando confiança dos credores. Ninguém quer ir para a Justiça! O processo é caro e nunca se sabe o resultado. Com a gestão bem aplicada, evita-se em muitos casos a decisão pela recuperação judicial, que ainda tem desconfiança do mercado.
 
Fonte: Fabricio Scalzilli

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