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Oi eleva caixa e faz primeira reunião sob olhar da Anatel

11
Nov 2016
Por Ivone Santana e Thais Carrança

O conselho de administração da operadora Oi realizou ontem sua primeira reunião sob fiscalização da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Maria Lúcia Ricci Bardi, gerente do escritório do órgão regulador no Rio de Janeiro, acompanhou atentamente todas as discussões e deliberações. Ela ficou apenas ouvindo, sem interferir nas discussões, afirmou ao Valor o presidente da Oi, Marco Schroeder.

A reunião transcorreu em clima tranquilo, segundo o executivo e fonte que acompanhou o encontro, sem a presença do fundo Société Mondiale (tem fatia de 7,5% do capital votante da Oi), representado por Nelson Tanure, como determinou a Anatel, na terça-feira. "Todos se comportaram de maneira construtiva", disse Schroeder, ao se referir aos acionistas presentes. O maior acionista individual é a Pharol (ex-Portugal Telecom), com 27,5% do capital votante.

Uma desavença sobre opiniões na reunião do dia 26 de outubro chegou à mídia e expôs a participação de Tanure no conselho sem anuência prévia da Anatel, portanto irregular, o que motivou ações e a fiscalização cerrada. "O espírito nesses últimos dias e o resultado com geração de caixa, a contratação do assessor financeiro podem ajudar para a retomada das negociações", disse o executivo.

Além de ouvir, Maria Lúcia anotou. Trata-se do primeiro estágio de uma intervenção, opina fonte que acompanha a empresa. Mas Schroeder minimiza a ação do órgão regulador e diz não crer que haverá avanço. "Não vejo motivo para uma intervenção plena. Estamos gerando caixa, com os investimentos crescendo. É claro que tem o desconforto com a dívida, mas precisa haver equilíbrio com credores, acionistas e a empresa, para que tenha capacidade para investir." Para ele, a mensagem da Anatel é clara, a reestruturação precisa ser concluída e dentro das regras.

Embora fontes do governo reclamem que a reestruturação da dívida da tele esteja lenta, o executivo lembrou que o processo é demorado mesmo e não será resolvido neste ano. "Se passaram 60 dias [desde o anúncio do plano], nosso prazo é de 180 dias", afirmou. Nos resultados do terceiro trimestre divulgados ontem, a tele atingiu dívida líquida de R$ 41,18 bilhões, praticamente estável em relação ao segundo trimestre, com variação negativa de 0,5%.

Até agora, a etapa que está adiantada é referente ao plano de pagamento aos pequenos credores. Schroeder disse que está sendo construída uma oferta para fazer o pagamento de forma mais acelerada e que o desembolso sai ainda neste ano. Agora está sendo analisada a parte jurídica.

Com os "bondholders" (detentores de títulos da dívida) será mais complicado, mas dentro do caixa da empresa, disse o executivo. Disso depende a nomeação da nova consultoria financeira. O nome já havia sido escolhido e foi ratificado na reunião de ontem. Schroeder disse que só será divulgado após a assinatura do contrato. Entretanto, fonte que acompanhou as discussões afirmou que será a Laplace Finanças, especializada em reestruturação financeira, conforme antecipou ontem à noite o Valor PRO, serviço de informações em tempo real do Valor.

No resultado do terceiro trimestre, a Oi registrou um prejuízo líquido atribuído aos controladores de R$ 1,05 bilhão, ampliando em 7% as perdas de R$ 981 milhões de igual período de 2015. Mas Schroeder destacou a geração de caixa, de R$ 552 milhões no terceiro trimestre, 141% a mais que no segundo trimestre do ano, embora 30% menor que um ano antes. Ele lembra que a empresa tinha R$ 5 bilhões no caixa, no início da recuperação judicial, e chegou ao terceiro trimestre com R$ 7,14 bilhões. O caixa disponível cresceu 40% ante junho. A receita líquida somou R$ 6,39 milhões no trimestre, com queda de 6% na comparação anual. Considerando apenas a operação brasileira, a receita líquida totalizou R$ 6,19 bilhões, baixa de 5%.

Na operação brasileira, a receita foi afetada pelo corte das tarifas reguladas de interconexão e de ligações fixo-móvel, pela menor base de clientes e queda nas recargas no pré-pago e na receita do segmento corporativo, segundo a empresa, segmentos mais sensíveis ao ambiente macroeconômico.

A receita líquida total de serviços, que exclui a receita de aparelhos, totalizou R$ 6,15 bilhões, queda de 4,9%. No segmento residencial, a receita caiu 2,9%, para R$ 2,37 bilhões. Em mobilidade pessoal, a baixa foi de 5,2%, a R$ 1,94 bilhão. Por fim, no segmento corporativo, a receita somou R$ 1,83 bilhão, num recuo de 7%. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) alcançou R$ 1,65 bilhão no trimestre, queda de 25%. Os investimentos somaram R$ 1 bilhão, alta de 2%. Em nove meses, os aportes em bens de capital avançaram 14%, para R$ 3,51 bilhões.

Schroeder disse que já recebeu vários grupos de investidores interessados em investir na Oi, mas nada formal. O passo seguinte da reestruturação será uma fusão, mas ainda vai demorar, disse.

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